Quando o governo chinês anunciou em 2014 um plano para a criação de um “sistema de crédito social”, os alarmes de todos que já leram 1984 uma vez na vida tocaram. A ideia, por mais distópica e absurda que podia parecer consistia em uma plataforma de avaliação por pontos de cada cidadão, empresa ou empreendimento do País do Meio, o que se reverteria em mais e melhores condições de vida e negócios para os melhores rankeados e uma situação de ostracismo e marginalidade para os com poucos pontos.

Pois bem, não só o plano segue a todo vapor como já está em fase de testes, e as primeiras impressões são aterrorizantes para dizer o mínimo.
Quanto mais pontos o usuário tiver (a pontuação do Zhima Credit começa em 300 e vai até 850 pontos) mais confiável o cidadão será, e mais vantagens e acessos ele terá: alugar carros, furar filas em aeroportos, ter prioridade em apps de encontros, descontos ou reservas (ou mesmo entrada permitida) em hotéis, restaurantes, crédito adiantado para operações financeiras, enfim, todo o tipo de coisa básica ou algumas vantagens interessante.

Os chineses que ficarem no rodapé do ranking não terão nenhum tipo de regalia e até mesmo poderão ser impedidos de ter acesso a serviços básicos, o que servirá também para inibir comportamentos subversivos. Indicações de como estão sua saúde como consumo de antidepressivos, hábitos corriqueiros como a forma que o cidadão escreve, suas companhias e o que elas fazem da vida… nada escapará ao olhar e tudo será quantificado.

Em suma, quem quiser ter uma vida minimamente saudável terá que dançar conforme a música do Partido Comunista da China.
 Temporada 3, episódio 1 — Mulher busca reconhecimento num mundo em que as pessoas são avaliadas via aplicativo