Dona do domínio “.tv”, símbolo mundial do entretenimento, Tuvalu, de 11 mil habitantes, vende seus direitos para marcas globais.

Em 1995, Stephen Boland estava sentado no escritório, trabalhando como planejador macroeconômico para o microestado de Tuvalu, no Pacífico, quando a máquina de fax deu um sinal de vida. Seu papel imprimiu uma mensagem que, tempos depois, equivaleria a um bilhete de loteria premiado.

A mensagem era um despacho informando que Tuvalu ganhara um domínio com código de país para seus endereços na internet – a sequência de caracteres no final de uma URL, como “.com” ou “.org”. O domínio de Tuvalu era “.tv”, símbolo mundial para transmissão de entretenimento. Naquela época, o significado da mensagem não estava claro para Boland, nem para os demais membros do escritório. Eles tinham problemas mais urgentes. 

“Ficamos olhando para o fax”, disse Boland. “As pessoas liam aquilo de ‘ponto tv’ e se perguntavam: que diabos é essa coisa de internet?”.

Quase 25 anos depois, o poder da internet permanece relativamente desconhecido para muitas pessoas na ilha, mas sua evolução tornou o domínio “.tv” um dos recursos mais valiosos de Tuvalu. Graças ao aumento da programação transmitida ao vivo e dos videogames online, Tuvalu recebe cerca de 1/12 da sua renda nacional bruta anual licenciando seu domínio a gigantes tecnológicos, como a plataforma de streaming da Amazon, o Twitch, por intermédio da empresa Verisign, que tem sede na Virgínia. Em 2021, quando o contrato de Tuvalu com a Verisign expirar, esse percentual aumentará significativamente.